rua das flores

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A procedência de minha personagem infantil - Layla - conto - Maria Melo - Brasil

Esqueci-me o óbvio. Apresentei minha personagem infantil
sem dar-lhe um nome:
Falei de sua beleza, assim imaginariamente,
de modo que venho a saber com certeza,
que todos a conhecem, simplesmente.

Vamos chamá-la de Layla
como se fosse um silêncio a céu aberto,
ou um antigo livro estelar,
escrito simplestimento com riscos
de hidrogênio incandescente,
convidativamente aberto, aos povos
qualquer tipo de gente...
quem sabe também a outras formas
de vidas diferentes.

Layla é então aquela pureza,
e aqueles olhos que a gente jamais esquece...
não importa quantas palavras ela nos diga,
quantas palavras ouvimos dela,
tudo nela permanece.

E como Layla veio a ser criada ou apresentada...
Muitas coisas da vida vem do mar,
talvez todas, não me lembro bem
de poder apontá-las...

As tormentas do mar, na ausência da lua,
em meio a todas as formas de sonhos,
trouxeram um imenso caos no sono daquele povo.

Ali, bem ali, longe da maioria absoluta,
Layla, sempre infantil, jamais ficou adulta,
presenciava toda forma de dor e de pranto,
de todos, águas limpidas e lodo... era um espanto.

Ninguém sabe o motivo real mas o mar enfureceu:
não era desamor... apenas deu alguns passos,
no espaço que era seu e causou horror!

Havia por lá humanos e Deuses,
crentes e ateus, pecadores e inocentes,
havia crianças que dormiam, pessoas que sonhavam,
pesadelos errantes e maldosos,

O mar avançou, porque seguia
por mais que fossem fortes sãos braços,
seus abraços a água não continha.

Eles se ajudavam, se julgavam, pasmos,
da sorte que tinham de poder transitar
entre os que mais sofriam.

Layla estava por la... sua poderosa mãe,
estava viva, poderosa,simplesmente
PORQUE PODIA ESTAR VIVA.
e mais que isto conseguia pensar em ajudar.

Aos eternos olhares infantis de Layla, sua
mãe era muito poderosa... transitava por
lá, meio às lágrimas, meio a coragem,
de assumir que não estava morta,
que não conseguia morrer,
que continuava a ouvir suspiros e lamentos,
tristezas e orações, mesmo sem nenhum fundamento.

Mas naquele instante, onde todos precisavam de ajuda,
a PODEROSA MÃE carregava Layla eternamente infantil,
em seus braços, era filha, muitissimo amada,
adorada, daquela senhora, filha única,
filha de sangue, filha de um grande e eterno amor,
de um amor fundamental que rasga a carne,
em dores, para semear a vida.
E Layla era o coração daquela corajosa senhora.
sempre atada ao seu peito, ao seu abraço.

A corajosa senhora sabia que se deixasse Layla,
jamais a reencontraria... mas se não a deixasse,
ajudar, não poderia.

Com a pequena e adorada Layla nos braços,
a poderosa Senhora, chamou alguém,
que no meio das dores e do sofrimento,
transitava também... procurando, filhos,
parentes, amigos, ou ajudando simplesmente.

Olhou para Layla e disse ADEus!
Dalva, a mulher negra que ouviu o chamado
se aproximou... quem sabe alguém seu por ali
estivesse...resgatado daquela noite de tragedia.

A poderos Senhora disse á Negra, preciso de tua ajuda,
tome Layla nos braços e a entregue á primeira pessoa
boa e justa que encontrares...
quase tudo por ali era escombro
mas a negra tinha muito fortes ombros.
Abraçou Layla e a Poderosa senhora
caminhou para o mar nem pode ver se Layla chorou...

Os dias de sol acabam chegando
aos corações, e mesmo que recusados,
brilham e abraçam tudo...
vão aquecendo aos poucos o caminho
de cada um,
uma curva, outra curva,
um mar de coisas turvas
afastam da memória,
por algum tempo, por muito tempo e até para
sempre algumas comoventes histórias...

Assim Layla foi dada,
A uma bela senhora que a recebeu com as duas mãos
apontadas para o céu,
que a recriou em seu nobre e belo
castelo, que nada mais que o seu próprio coração,

E a belíssima Layla lança
seus olhares, com muita abundância
para todos os lugares, lares,
pessoas... e nos seus olhos
a promessa eterna: nunca deixara
de ser criança,
nem de atar-se ao coração
de uma pessoa justa
nem de fortalecer toda e qualquer esperança
que pelo mundo anda.


Layla - pequena e singela homenagem - Maria Melo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Poeminaridade

O poema parece morto.
Não tem pé de meia.
Todo dia na tela,
numa aquarela de girassóis.
O poema vê os olhos....
de seu leitor, só olhos.


Decide sair da tela,
fugir daquele falso horror.

Quero ser um poema vivo,
mesmo que não seja de  amor.

Atravessa porta, portaria e paredes...
senta na sala,
vaga... entretanto,
nele não há história de pranto,
desesperança ou desencanto.

Fala baixinho de amor,
quase ninguém ouve,
mas como negar o que está escrito,
nas folhas do pé de couve.

Uma profecia pra cumprir...
na palma da mão, num baralho de bar,
no miolo do pão.

Um poema vivo, cativo,
não nega sua escrita, sobre a folha,
não  é aflito, também não é bolha,

Fica esquisito, um poema fora da tela,
com mãos, braços,
e barriga da perna...

Ás vezes, o poema entristece,
mas  ele é tão velho
como aquela aquarela,
que ele vê todo dia da janela.

São minhas nuvens negras,
estas que esconderam o teu sol.
Meu frio, arco íris de chuva
rondando ao teu redor.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Introductory chapter... was a time...


A sea... many seas... all seas.

They had congregated in oceanic assembly:

Philosophy... meditation...religion...art...

science and happiness.

They had thought centuries

and finally sad:

We are not a plant of toys.

We, the waters, are a very serious mechanism.

Therefore, I always see the children

playing in the sand of the beach.

We, the waters lick its Little foot,

we lick its Little hands, its faces

like a great dog, but we do not play.

We, the waters, manufacture all the life

of the alive life until the life deceased,

of the life deceased until the mineral

and the vegetable life.

The life of all form of life of the planet

until the perpetual life.

But we do not play.

In act, registered in the time had decided to send CONCHINHAS for the children

who were playing in the sand.

Thus a multitude of CONCHINHAS

woke up on the sand of the beach

and under the sun of the human beings.

Perhaps it was the start of the world.

It starts, here, our history.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Pessoas...


Sou viciada em pessoas...

Mar de carne, sangue e osso

par de olhos sibila e ecoa...

vida marinha do fundo do poço.


pessoas, umas mais densas

outras muito mais líquidas

outras ferro em pedra condensa

as águas de sabor, insípidas.


Mar de olhos vivos, profundos

de faces de olhares secretos

sei mergulhar no seu mundo

sobreviver neste deserto.


as multidões passam pelo destino

sem sequer a perceber a mão

que cobre de flores o caminho

que qualquer um deixa pelo chão....


pessoas, pedra que é berço eterno

Lama morna, de forno e luar

mar que é ventre e cerno

histórias descondensadas.





sábado, 25 de agosto de 2007

Foi assim...

Tanto fez
que a alma tirou do céu...
Não era pecado o cometido
era amor, desconhecido.

Deus surpreendido
pelos desejos humanos
aproveitou-se do ocorrido
para concretizar seus planos

Fundar a terra
num mar de lama
fosse amor ou fosse a guerra
entregar-se quem o ama.

Deus... só assim se fez
senhor da dor
da fina pétala de jasmim
que esconde a sua cor..

Mas eu amo o som de passarinho
mais passarinho, mais eu adoro
melodia e ritmo em desatino
orquestra em êxtase, é glória.

E digo sempre obrigado
por este mundo sem eira nem beira
que cabe dentro do meu segundo
e dura a vida inteira.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

slóva


Ya ne gavarío pa ruskii
Ya ne panimaio pa ruskii
ya ne pissat pa ruskii
ya ne tchitaio pa ruskii.

Zvuk slova - som da palavra.

Chto znatchit et slóva... pa ruskii...
O que significa esta palavra russa...
Ya ne znaio... eu não sei.

Ya znaio znatchit slóva certse ( vida)
Pchinitsa ... pão e trabalho.
Zalatúyu ( Ouro) Sóntse ( sol )

Meus olhos sabem
 o que significa primavera
 em russo... ( visnú)
Vida... Ya magú.. eu posso ver

 o que significa qualquer coisa
 dentro do mundo, 
meus olhos não tem fronteiras, 
assim como os elementos da terra, também não.

Chuva (docht´ 
é chuva em qualquer idioma do mundo,
 em qualquer parte do planeta.
 Meus olhos não tem fronteiras.

Gde granítsa...
Eu sei ver Mãe, filho, 
amigo, árvore, rio, mar, pássaro, 
em qualquer idioma...

 vejo igual.
Ya minyá balit pa ruskii.
Ya minyá lyiob pa ruskii.
gde granítsa... Cadê fronteira...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Il cuore

Hum.........
Ha......... La prima parole del cuore
Il silenzio.
Il mio pensiero è pieno di luci, di niente.
La prima parole del cuore:
Il sole, il mio pensiero è pieno de caldo.
Il mio pensiero è pieno de la mattina
del sogni de una bambina.
La prima parole del cuore
occhi fermati, è pieno del mare
del mare di stella de la note.
La prima parole del cuore
è pieno di bacio
di bacio del suo desidero

domingo, 19 de agosto de 2007

Un Viejo ...


Un viejo en su pensión

piensa en su sufrir

con la su depresión

quiere su propio morir.


Vea las mujeres bonita

toda en el algazaras

e el con su alma aflija

en su viaje bizarra.


la vida non es buena

a quién non crea en amor

a quién non crea ni sueña

sin temer la dolor.


Mi viejo amigo

con la su dolor a la mano

porque non sueña con migo

soy sus mejores planos


Que quiere de la vida

si amor non interesa

si las abres floridas

pasas con su presa.


Mi viejo non si va

nueva estrada aparecerá

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sem motivo....

Sem razão alguma
o sol faz seu trajeto
não porque o homem pede
dele qualquer objeto.

Sem qualquer motivo
a lua vai passarela
pousar entre as estrelas
também em qualquer janela

A chuva chove o vento voa
não por desejo ou vaidade
mas o fazem à toa
à mercê de qualquer vontade.

E eu o que quero de mim
além de estar viva agora
de percorrer qualquer caminho
que a vida inventa lá fora.

Então é você minha busca
pra matar a saudade que me olha
que o tempo e espaço não ofusca
a esperança que o adora.


terça-feira, 14 de agosto de 2007

Ovo de passarinho...


Bem no comecinho

a saudade é um ovo de passarinho

alojado no coração

quietinho no seu ninho.


vai bicando suavemente

a casca insípida e inodora

que envolve ternamente

o seu ontem e seu agora....


Mas no repente da vida

cresce penas, agita as asas

abre os olhos, afia o bico

quebra a própria casa.


mas... coração sem janela

sem lua, luar, onda mar

arco íris de aquarela

brilho de estrelas no olhar.


Pássaro não chora

põe o sangue a circular

buscar notícias lá de fora

num canto do seu cantar...




segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Meu Eu


É velho e é visível.
É visível na pele de quem sente o tempo
uma estranha porém antiga
sensação.

Meu eu é único
é sensível
por quem passa noites sem dormir

É visto, palpável,
flexível, amável,
toma forma, abre os olhos
canta e encanta
sem motivo.

É justo, puro, necessário
é confiável, hereditário
trabalhador de naves
de órbitas, de itinerário.

Meu único eu
é misteriosamente todo seu.

A minha vontade
é vinda de sua estranha alma
que é toda sua
porque é toda minha.

Minha solidão
é a do coração mergulhado no peito
do pássaro retido nas asas,
da água que mata a sede.

Da ausência do amor no mundo
da ausência mundo lá fora
deste mesmo mundo que agora
se guarda dentro, profundo.

por isso, escrevo
as escritas são fragmentos desta natureza
que sonha e pensa que é feliz.






Meus diamantes e pérolas....


São tão poucos os momentos

que passo com você:

corpo e alma dispendiosos

param no tempo, num universo veloz.


Meus diamantes e pérolas

verdades inéditas se vão

como coisas banais,

pelo vento, pelo chão

brilhando à luz do dia.


As palavras do filme de amor

que encantam e emocionam

são ditas assim em cenas bizarras

com olhares descrentes, risos irônicos.


Vejo tudo

mas se não vejo seus olhos

estou calado, carrancudo.


Não quero olhar meu dia sem você.

Nem me esquecer na noite, sem você.


Não quero caminhão de sonhos

nem de realidade, viagens fantásticas

nem estranhas fatalidades...


quero a humildade do seu sorriso

para mim, um riso bobo de felicidade

de quem tem coragem de confiar.


que posso fechar os meus olhos e dormir

e você sempre poderá me acordar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Aguas


Na tela

agora minhas ideias

fluindo, aos poucos, meio rimas

meio versos, meio celas.


São águas que rolam destino abaixo

aos cachos, cachoeira e saltos.


São águas que evaporam

entre nuvens se escondem

são águas daqueles que choram

são águas daqueles que sonham.


Águas puras, atômicas, profundas

de alma de luz de corpo velado.

Também são águas, sujas, imundas

dos rios mortos do mundo, afogados.


São águas secretas

minam vida em qualquer parte

águas minhas incontidas

sob a forma de arte.


E acima de tudo,

a arte sob forma de vida.


Na tela

o pensamento vivo

caminha, se arrasta e voa

como peixe mergulhado

na neblina

a estrada é de sol e garoa.


A terra gira

as nuvens secam

as águas voltam e ficam

porque são essenciais.










terça-feira, 7 de agosto de 2007

A minhoca


Aminhoca não arreda o pé da terra
bailarina clássica,
de música inaudível entranhada
na sua alma de puro barro.

Dança, salta,
não tira o pé do palco
assombra com sua coragem de
enfrentar o sol
sua vida tão frágil.
não tira o pé do palco.

A árvore não lê suas folhas
balança, chaqualha os galhos
a semente voa....
se cai, a enxurrada arrasta, enterra
mas a árvore não tira o pé da terra.

Outra árvore, assombrosa, frondosa surge
sem evolução
sem reclamação, sem monotonia,
sem repetição... só para chaqualhar os galhos...
espalhar sementes... construir sertão...

O pássaro, coça as penas, balança as asas
abre o bico, não tira o pé do palco
não sai da cena.
leve feito brisa,
a noite, ninguém dele tem notícias.

A onça, o leão
são mais fortes que napoleão...
mais bonitos que Cleópatra
No cinema são maravilhosos
suas roupas únicas no mundo
despertam inveja das estrelas mais brilhosas.

Não abandonam seu olhar selvagem
suas garras de aço
sua força estrondosa
sua agilidade,
não há valor de troca.

A onça e o Leão
não procuram evolução.
não tiram o pé do chão
em nenhuma situação.

O peixinho, o tubarão
no profundo, fundo dos oceanos
não fazem planos de revolução
vivem...como se a eternidade
já tivesse a solução.

Suas escamas, suas camas
sempre muito limpas arrumadas
mala prontas pra viagem
nadadeira sempre afiada.

Os peixinhos, tubarões, baleias
golfinhos, estrelas do mar,
borboletas da areias
são sempre shows vividos
nas arenas de suas vidas.

Não tiram o pé do palco
não dormindo sai da cena.

pessoa pensa,e é esse o dilema.
busca evolução, recompensa
o futuro, talvez, fome imensa
daquilo que se guarda na despensa.

Mas nesta lei de aprendizagem
só vale qualquer coisa negociável
que possa ser adquirida
por camelô desonesto
que faz pontos na estrada da vida.

Inocentes ou ignorantes
entregam tempo e vida
o sangue restante das veias
que alimenta a grande ferida.

Mas seu pé do chão
a terra não desprende não.

Não tira o homem do palco
o cenário tão lindo, é deslumbrante
os olhos dele errante
quer paraíso delirante.

sua alma de menino
não para de sonhar,
seu choro é sino
eternamente a repicar.

às vezes, é música,
brilho de estrela, no orvalho do mar
mas a terra e o homem um do outro
sempre será. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Saudade


Tenho saudades do amor



bem dentro do meu coração



gosto de flor pisada, dor



perfume derrado no chão.






A saudade é do amor do coração



não é do seu amor, minha saudade



ele me vem sempre sem qualquer razão



sem precisar nenhuma verdade.






Seu olhar... cordilheira indecifrável


que separa mundos e mundos infinitos


um limite entre eu e o mar


que romper jamais a vida permite.






Não me importo...


Não me importo
que não esteja aqui
Não me importo que se tenha ido
não me importo que não virá.


Não me importo que não me sorria
nem que não me toque em seu sonho
não pensa em mim no seu dia-a-dia
que não saiba que sou tristonho


Não me importo com seus outros amores
com seus abraços e beijos ao léu
nem que sofra todas as dores
que são inerentes ao seu céu.


Que tenha cruzado mares
ido para o oriente, outros por de sois
que medite sobre profundos olhares
e que jamais seremos nós...


Não importa que queira partir todo dia
a todo instante, uma nova fuga
debruço-me sobre meu trabalho
na sua ausência meu universo enruga.



E olho pela janela o oceano do tempo
suas grandes ondas que levam lavam
investem contra eternos pensamentos
palavras sonoras do meu coração lavra.




segunda-feira, 30 de julho de 2007

Pessoas....


Sou feita de pessoas,

como o mar é feito de água

A beleza é tudo que meus olhos guardam

delas existindo em minha vida.


E toda pessoa é como um rio

que molha e evapora

do tudo ao vazio.


Abre seu caminho

no desconhecido das mentes


entre pedras e espinhos

derrama sua semente.

O bicho...


Eu... fora do meu planeta.... nem pensar

é uma visão impossível

tenho tripas de barro

coração de terra, indivisível.



Sobre as dores e sofrimentos

com as penas se fazem as asas

quais sejam os tormentos

escorrem em lavas e brasas.


Passos... vida inteira

procurando caminhos

escondidos sob meus pés.


atravesso rua sem saída

esperança de esquina qualquer.


É o destino, o famoso...

que se ergue de repente

num gesto, numa força

num palpite de coração.

coração


C oração, vá direto ao sentimento

aos brados, aos berros, sem temor

no fundo escuro, sem ressentimeno

revirar os escombros da minha dor.


Coração, ainda que se contorcendo

arrastando pelo chão tuas penas

vá direto ao sentimento, te ordeno

desmontar cenário, refazer as cenas


teu grito liberdade e salvação

nascem da tua dor, as tuas asas

tuas preces mais horrendas são

versos escorrendo de mãos em brasa


No enfarto, cabalando, anda te levanta

tantas auroras ainda por despertar

traz à tona tua alma tão santa

santa de tanto sofrer por amar.


Eu...


Eu? ...fora do meu planeta

é uma visão impossível...

nem na guerra

Meus olhos são feitos de ar

minhas penas são feitas de terra.


As brancas nuvens do céu

tocam a estrada

Nem luz do dia nem da noite

Só madrugada.


As sombras não são escuras

nem também iluminadas

As palavras são mornas

meio adocicadas.


Os olhos são quase perdidos

na luz dos sonhos, apagada

Entreabertos, vencidos

estrelas e luas, cansadas.


Ao longe um violino já soa

entre as matas trêmulas de bambuzais

asas adormecidas ecoam

entre as flores dos arrozais.


Assim começa outro dia

não será bom nem mal

aurora de pura fantasia

do estranho mundo animal.

O pensamento


O pensamento é feito mar

repleto de vidas

Universo eterno em construção

de luz, sangue, rosa ferida

Trabalho árduo de órbitas e mãos.


Nele há infinitos personagens

que compõem a história

do meu tempo.


O coração é catador de sementes

lavrador das flores do trigo

doador de pão.


Os olhos criam luz

as mãos trabalham as estrelas

as poetiza no coração.


O pensamento possível

do humano ao divino

torna tudo visível.


Eu só sei contemplar.

O passado


A estrada está intacta

guarda a marca de todos os pés

o vento ainda sopra

as folhas das árvores e os sapés.


Os passarinhos ainda são os mesmos.


O fio de água virou um lago

A casa velha uma igreja

as sombras das árvores

sol ardente viraram.


E os jovens viraram velhos


A estrada ainda é bela e jovem

tão jovem quanto o bebê mais recente

os campos florescem por toda parte

igualzinho a antigamente.


É outro mundo aquele da menininha

que minhas mãos em sonho toca

O riacho, a arapuca o brejo dos sapos

O medo, as rezas e as beatas


sempre estarão lá, guardados no tempo.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A fuga


Oh, pássaro selvagem

por que fugiu da floresta

a cumueira da casa

é o palco que lhe resta


canta com voz pequena

toda grandeza do mundo

universo todo em cena

nos seus olhos profundos.


seu canto parece prece

a quem chega a casa

até que a morte cesse

as penas das suas asas.

Elvis Presley - Suspicious mind

menina de conchas

menina de conchas
artesanato conchas do mar

conchinhas