rua das flores

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Aguas


Na tela

agora minhas ideias

fluindo, aos poucos, meio rimas

meio versos, meio celas.


São águas que rolam destino abaixo

aos cachos, cachoeira e saltos.


São águas que evaporam

entre nuvens se escondem

são águas daqueles que choram

são águas daqueles que sonham.


Águas puras, atômicas, profundas

de alma de luz de corpo velado.

Também são águas, sujas, imundas

dos rios mortos do mundo, afogados.


São águas secretas

minam vida em qualquer parte

águas minhas incontidas

sob a forma de arte.


E acima de tudo,

a arte sob forma de vida.


Na tela

o pensamento vivo

caminha, se arrasta e voa

como peixe mergulhado

na neblina

a estrada é de sol e garoa.


A terra gira

as nuvens secam

as águas voltam e ficam

porque são essenciais.










terça-feira, 7 de agosto de 2007

A minhoca


Aminhoca não arreda o pé da terra
bailarina clássica,
de música inaudível entranhada
na sua alma de puro barro.

Dança, salta,
não tira o pé do palco
assombra com sua coragem de
enfrentar o sol
sua vida tão frágil.
não tira o pé do palco.

A árvore não lê suas folhas
balança, chaqualha os galhos
a semente voa....
se cai, a enxurrada arrasta, enterra
mas a árvore não tira o pé da terra.

Outra árvore, assombrosa, frondosa surge
sem evolução
sem reclamação, sem monotonia,
sem repetição... só para chaqualhar os galhos...
espalhar sementes... construir sertão...

O pássaro, coça as penas, balança as asas
abre o bico, não tira o pé do palco
não sai da cena.
leve feito brisa,
a noite, ninguém dele tem notícias.

A onça, o leão
são mais fortes que napoleão...
mais bonitos que Cleópatra
No cinema são maravilhosos
suas roupas únicas no mundo
despertam inveja das estrelas mais brilhosas.

Não abandonam seu olhar selvagem
suas garras de aço
sua força estrondosa
sua agilidade,
não há valor de troca.

A onça e o Leão
não procuram evolução.
não tiram o pé do chão
em nenhuma situação.

O peixinho, o tubarão
no profundo, fundo dos oceanos
não fazem planos de revolução
vivem...como se a eternidade
já tivesse a solução.

Suas escamas, suas camas
sempre muito limpas arrumadas
mala prontas pra viagem
nadadeira sempre afiada.

Os peixinhos, tubarões, baleias
golfinhos, estrelas do mar,
borboletas da areias
são sempre shows vividos
nas arenas de suas vidas.

Não tiram o pé do palco
não dormindo sai da cena.

pessoa pensa,e é esse o dilema.
busca evolução, recompensa
o futuro, talvez, fome imensa
daquilo que se guarda na despensa.

Mas nesta lei de aprendizagem
só vale qualquer coisa negociável
que possa ser adquirida
por camelô desonesto
que faz pontos na estrada da vida.

Inocentes ou ignorantes
entregam tempo e vida
o sangue restante das veias
que alimenta a grande ferida.

Mas seu pé do chão
a terra não desprende não.

Não tira o homem do palco
o cenário tão lindo, é deslumbrante
os olhos dele errante
quer paraíso delirante.

sua alma de menino
não para de sonhar,
seu choro é sino
eternamente a repicar.

às vezes, é música,
brilho de estrela, no orvalho do mar
mas a terra e o homem um do outro
sempre será. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Saudade


Tenho saudades do amor



bem dentro do meu coração



gosto de flor pisada, dor



perfume derrado no chão.






A saudade é do amor do coração



não é do seu amor, minha saudade



ele me vem sempre sem qualquer razão



sem precisar nenhuma verdade.






Seu olhar... cordilheira indecifrável


que separa mundos e mundos infinitos


um limite entre eu e o mar


que romper jamais a vida permite.






Não me importo...


Não me importo
que não esteja aqui
Não me importo que se tenha ido
não me importo que não virá.


Não me importo que não me sorria
nem que não me toque em seu sonho
não pensa em mim no seu dia-a-dia
que não saiba que sou tristonho


Não me importo com seus outros amores
com seus abraços e beijos ao léu
nem que sofra todas as dores
que são inerentes ao seu céu.


Que tenha cruzado mares
ido para o oriente, outros por de sois
que medite sobre profundos olhares
e que jamais seremos nós...


Não importa que queira partir todo dia
a todo instante, uma nova fuga
debruço-me sobre meu trabalho
na sua ausência meu universo enruga.



E olho pela janela o oceano do tempo
suas grandes ondas que levam lavam
investem contra eternos pensamentos
palavras sonoras do meu coração lavra.




Elvis Presley - Suspicious mind

menina de conchas

menina de conchas
artesanato conchas do mar

conchinhas