rua das flores

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sem motivo....

Sem razão alguma
o sol faz seu trajeto
não porque o homem pede
dele qualquer objeto.

Sem qualquer motivo
a lua vai passarela
pousar entre as estrelas
também em qualquer janela

A chuva chove o vento voa
não por desejo ou vaidade
mas o fazem à toa
à mercê de qualquer vontade.

E eu o que quero de mim
além de estar viva agora
de percorrer qualquer caminho
que a vida inventa lá fora.

Então é você minha busca
pra matar a saudade que me olha
que o tempo e espaço não ofusca
a esperança que o adora.


terça-feira, 14 de agosto de 2007

Ovo de passarinho...


Bem no comecinho

a saudade é um ovo de passarinho

alojado no coração

quietinho no seu ninho.


vai bicando suavemente

a casca insípida e inodora

que envolve ternamente

o seu ontem e seu agora....


Mas no repente da vida

cresce penas, agita as asas

abre os olhos, afia o bico

quebra a própria casa.


mas... coração sem janela

sem lua, luar, onda mar

arco íris de aquarela

brilho de estrelas no olhar.


Pássaro não chora

põe o sangue a circular

buscar notícias lá de fora

num canto do seu cantar...




segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Meu Eu


É velho e é visível.
É visível na pele de quem sente o tempo
uma estranha porém antiga
sensação.

Meu eu é único
é sensível
por quem passa noites sem dormir

É visto, palpável,
flexível, amável,
toma forma, abre os olhos
canta e encanta
sem motivo.

É justo, puro, necessário
é confiável, hereditário
trabalhador de naves
de órbitas, de itinerário.

Meu único eu
é misteriosamente todo seu.

A minha vontade
é vinda de sua estranha alma
que é toda sua
porque é toda minha.

Minha solidão
é a do coração mergulhado no peito
do pássaro retido nas asas,
da água que mata a sede.

Da ausência do amor no mundo
da ausência mundo lá fora
deste mesmo mundo que agora
se guarda dentro, profundo.

por isso, escrevo
as escritas são fragmentos desta natureza
que sonha e pensa que é feliz.






Meus diamantes e pérolas....


São tão poucos os momentos

que passo com você:

corpo e alma dispendiosos

param no tempo, num universo veloz.


Meus diamantes e pérolas

verdades inéditas se vão

como coisas banais,

pelo vento, pelo chão

brilhando à luz do dia.


As palavras do filme de amor

que encantam e emocionam

são ditas assim em cenas bizarras

com olhares descrentes, risos irônicos.


Vejo tudo

mas se não vejo seus olhos

estou calado, carrancudo.


Não quero olhar meu dia sem você.

Nem me esquecer na noite, sem você.


Não quero caminhão de sonhos

nem de realidade, viagens fantásticas

nem estranhas fatalidades...


quero a humildade do seu sorriso

para mim, um riso bobo de felicidade

de quem tem coragem de confiar.


que posso fechar os meus olhos e dormir

e você sempre poderá me acordar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Aguas


Na tela

agora minhas ideias

fluindo, aos poucos, meio rimas

meio versos, meio celas.


São águas que rolam destino abaixo

aos cachos, cachoeira e saltos.


São águas que evaporam

entre nuvens se escondem

são águas daqueles que choram

são águas daqueles que sonham.


Águas puras, atômicas, profundas

de alma de luz de corpo velado.

Também são águas, sujas, imundas

dos rios mortos do mundo, afogados.


São águas secretas

minam vida em qualquer parte

águas minhas incontidas

sob a forma de arte.


E acima de tudo,

a arte sob forma de vida.


Na tela

o pensamento vivo

caminha, se arrasta e voa

como peixe mergulhado

na neblina

a estrada é de sol e garoa.


A terra gira

as nuvens secam

as águas voltam e ficam

porque são essenciais.










terça-feira, 7 de agosto de 2007

A minhoca


Aminhoca não arreda o pé da terra
bailarina clássica,
de música inaudível entranhada
na sua alma de puro barro.

Dança, salta,
não tira o pé do palco
assombra com sua coragem de
enfrentar o sol
sua vida tão frágil.
não tira o pé do palco.

A árvore não lê suas folhas
balança, chaqualha os galhos
a semente voa....
se cai, a enxurrada arrasta, enterra
mas a árvore não tira o pé da terra.

Outra árvore, assombrosa, frondosa surge
sem evolução
sem reclamação, sem monotonia,
sem repetição... só para chaqualhar os galhos...
espalhar sementes... construir sertão...

O pássaro, coça as penas, balança as asas
abre o bico, não tira o pé do palco
não sai da cena.
leve feito brisa,
a noite, ninguém dele tem notícias.

A onça, o leão
são mais fortes que napoleão...
mais bonitos que Cleópatra
No cinema são maravilhosos
suas roupas únicas no mundo
despertam inveja das estrelas mais brilhosas.

Não abandonam seu olhar selvagem
suas garras de aço
sua força estrondosa
sua agilidade,
não há valor de troca.

A onça e o Leão
não procuram evolução.
não tiram o pé do chão
em nenhuma situação.

O peixinho, o tubarão
no profundo, fundo dos oceanos
não fazem planos de revolução
vivem...como se a eternidade
já tivesse a solução.

Suas escamas, suas camas
sempre muito limpas arrumadas
mala prontas pra viagem
nadadeira sempre afiada.

Os peixinhos, tubarões, baleias
golfinhos, estrelas do mar,
borboletas da areias
são sempre shows vividos
nas arenas de suas vidas.

Não tiram o pé do palco
não dormindo sai da cena.

pessoa pensa,e é esse o dilema.
busca evolução, recompensa
o futuro, talvez, fome imensa
daquilo que se guarda na despensa.

Mas nesta lei de aprendizagem
só vale qualquer coisa negociável
que possa ser adquirida
por camelô desonesto
que faz pontos na estrada da vida.

Inocentes ou ignorantes
entregam tempo e vida
o sangue restante das veias
que alimenta a grande ferida.

Mas seu pé do chão
a terra não desprende não.

Não tira o homem do palco
o cenário tão lindo, é deslumbrante
os olhos dele errante
quer paraíso delirante.

sua alma de menino
não para de sonhar,
seu choro é sino
eternamente a repicar.

às vezes, é música,
brilho de estrela, no orvalho do mar
mas a terra e o homem um do outro
sempre será. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Saudade


Tenho saudades do amor



bem dentro do meu coração



gosto de flor pisada, dor



perfume derrado no chão.






A saudade é do amor do coração



não é do seu amor, minha saudade



ele me vem sempre sem qualquer razão



sem precisar nenhuma verdade.






Seu olhar... cordilheira indecifrável


que separa mundos e mundos infinitos


um limite entre eu e o mar


que romper jamais a vida permite.






Não me importo...


Não me importo
que não esteja aqui
Não me importo que se tenha ido
não me importo que não virá.


Não me importo que não me sorria
nem que não me toque em seu sonho
não pensa em mim no seu dia-a-dia
que não saiba que sou tristonho


Não me importo com seus outros amores
com seus abraços e beijos ao léu
nem que sofra todas as dores
que são inerentes ao seu céu.


Que tenha cruzado mares
ido para o oriente, outros por de sois
que medite sobre profundos olhares
e que jamais seremos nós...


Não importa que queira partir todo dia
a todo instante, uma nova fuga
debruço-me sobre meu trabalho
na sua ausência meu universo enruga.



E olho pela janela o oceano do tempo
suas grandes ondas que levam lavam
investem contra eternos pensamentos
palavras sonoras do meu coração lavra.




segunda-feira, 30 de julho de 2007

Pessoas....


Sou feita de pessoas,

como o mar é feito de água

A beleza é tudo que meus olhos guardam

delas existindo em minha vida.


E toda pessoa é como um rio

que molha e evapora

do tudo ao vazio.


Abre seu caminho

no desconhecido das mentes


entre pedras e espinhos

derrama sua semente.

O bicho...


Eu... fora do meu planeta.... nem pensar

é uma visão impossível

tenho tripas de barro

coração de terra, indivisível.



Sobre as dores e sofrimentos

com as penas se fazem as asas

quais sejam os tormentos

escorrem em lavas e brasas.


Passos... vida inteira

procurando caminhos

escondidos sob meus pés.


atravesso rua sem saída

esperança de esquina qualquer.


É o destino, o famoso...

que se ergue de repente

num gesto, numa força

num palpite de coração.

coração


C oração, vá direto ao sentimento

aos brados, aos berros, sem temor

no fundo escuro, sem ressentimeno

revirar os escombros da minha dor.


Coração, ainda que se contorcendo

arrastando pelo chão tuas penas

vá direto ao sentimento, te ordeno

desmontar cenário, refazer as cenas


teu grito liberdade e salvação

nascem da tua dor, as tuas asas

tuas preces mais horrendas são

versos escorrendo de mãos em brasa


No enfarto, cabalando, anda te levanta

tantas auroras ainda por despertar

traz à tona tua alma tão santa

santa de tanto sofrer por amar.


Eu...


Eu? ...fora do meu planeta

é uma visão impossível...

nem na guerra

Meus olhos são feitos de ar

minhas penas são feitas de terra.


As brancas nuvens do céu

tocam a estrada

Nem luz do dia nem da noite

Só madrugada.


As sombras não são escuras

nem também iluminadas

As palavras são mornas

meio adocicadas.


Os olhos são quase perdidos

na luz dos sonhos, apagada

Entreabertos, vencidos

estrelas e luas, cansadas.


Ao longe um violino já soa

entre as matas trêmulas de bambuzais

asas adormecidas ecoam

entre as flores dos arrozais.


Assim começa outro dia

não será bom nem mal

aurora de pura fantasia

do estranho mundo animal.

O pensamento


O pensamento é feito mar

repleto de vidas

Universo eterno em construção

de luz, sangue, rosa ferida

Trabalho árduo de órbitas e mãos.


Nele há infinitos personagens

que compõem a história

do meu tempo.


O coração é catador de sementes

lavrador das flores do trigo

doador de pão.


Os olhos criam luz

as mãos trabalham as estrelas

as poetiza no coração.


O pensamento possível

do humano ao divino

torna tudo visível.


Eu só sei contemplar.

O passado


A estrada está intacta

guarda a marca de todos os pés

o vento ainda sopra

as folhas das árvores e os sapés.


Os passarinhos ainda são os mesmos.


O fio de água virou um lago

A casa velha uma igreja

as sombras das árvores

sol ardente viraram.


E os jovens viraram velhos


A estrada ainda é bela e jovem

tão jovem quanto o bebê mais recente

os campos florescem por toda parte

igualzinho a antigamente.


É outro mundo aquele da menininha

que minhas mãos em sonho toca

O riacho, a arapuca o brejo dos sapos

O medo, as rezas e as beatas


sempre estarão lá, guardados no tempo.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A fuga


Oh, pássaro selvagem

por que fugiu da floresta

a cumueira da casa

é o palco que lhe resta


canta com voz pequena

toda grandeza do mundo

universo todo em cena

nos seus olhos profundos.


seu canto parece prece

a quem chega a casa

até que a morte cesse

as penas das suas asas.

Efêmero


Elevam-me as nuvens do céu

por isso minha cabeça voa

os pés caminham sobre o mel

que sobre as flores garoa.


a beleza se estende ao passo:

o passo torto, caminho errado, cambaleia

entre sonhos a boca beija o abraço

da alma simplesmente cheia.


da glória de quem apenas vive

um instante eterno, um sonho efêmero

e não há luz que dos meus olhos prive

a visão do teu fascinante  cheiro.


homem sombra de luz e caminho

passos na areia que o mar revela

segue em frente catando os espinhos

na longa e escura  estrada dela.

As conchas


Tenho caminhado

sobre a beleza das conchas do mar

presente que me fez presente

na estrada do seu sonhar


A natureza me oferece

como o vinho mais suave que há

a brancura de suas pérolas

vindas da água do mar.


E eu a recebo

como dom que sempre busquei

de minhas mãos, as ofereço

as conchas do mar que catei.


Aos seus olhos, seu coração

com todo amor que posso ter

lembrança eterna na sua visão

da estrada por onde passei.

sábado, 21 de julho de 2007

segunda-feira, 16 de julho de 2007

E...

Todo sonho é radiante.

sonho

A primeira lei que rege a realidade 
é o sonho e nele surge a arte.
como ferramenta 
que instrumenta a vida.

Uma coisa completa a outra,
o sonho é um pé da vida,
a arte é o outro pé
se completos a vida caminha.

Cada um desenvolve sua arte de viver
através do instrumento  sonho.
criando um mundo que na consciência
sustenta o universo de todos os planos.

a ferramenta da arte, dos sonhos,
pertence a todos os seres humanos.








Elvis Presley - Suspicious mind

menina de conchas

menina de conchas
artesanato conchas do mar

conchinhas